vai dar trabalho estarmos vivos
a espaços tentamos rescrever o nosso guião e ensaiamos
nunca chegamos a estrear o palco
investigamos uma nova gramática interior
acreditamos na possibilidade e analisamos
nunca chegamos à descoberta
maltratamos a mãe que nos ama que nos embala que nos alimenta que nos deixa viver
na sua infinita paciência ela vai perdoando os nossos erros que se repetem em cadeias inquebráveis
uma espécie de sal seco sobrará no final
poeira inerte da qual faremos parte
nós tão ágeis e criativos
reduzidos a nada
quando a mãe morrer
cruzaremos os nossos olhos incrédulos de tanta verdade e tanto rigor
e ninguém jamais nos chorará
só um fio de universo como testemunha da nossa existência
Para a Elaine Guedes