daqui quase vejo o mar
imagino o sal a picar-me a pele
em vão semi-cerro os olhos atacados de tanta luz
tu ris-te porque não acreditas numa dor assim tão grande
eu com falta de ar
falta de ar do mar
quase a morrer de falta de mar
ris-te da minha exasperação
por nunca mais lá chegar
ao mar
aos pés do mar
às pernas do mar
ao tronco do mar
aos braços do mar
à cabeça do mar
daqui a nada estou no mar
digo-o porque dependo desse encontro para continuar a viver
ris-te porque não sabes que é mesmo assim
mas olha
é mesmo assim
1 comentário:
JOana, um escrito que é vivo é aquele no qual o outro consegue se ver, porque toda dor não é só nossa.
Fico ainda mais feliz por ver você escrever tão bem, e ainda assim conseguir ver a você mesma na minha escrita.
eu senti essa sua dor: ela é minha, acho que todo ser humano pode se ver nela.
Uma dor se transforma em felicidade quando isso acontece: viramos escritores:)
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