vai dar trabalho estarmos vivos
a espaços tentamos rescrever o nosso guião e ensaiamos
nunca chegamos a estrear o palco
investigamos uma nova gramática interior
acreditamos na possibilidade e analisamos
nunca chegamos à descoberta
maltratamos a mãe que nos ama que nos embala que nos alimenta que nos deixa viver
na sua infinita paciência ela vai perdoando os nossos erros que se repetem em cadeias inquebráveis
uma espécie de sal seco sobrará no final
poeira inerte da qual faremos parte
nós tão ágeis e criativos
reduzidos a nada
quando a mãe morrer
cruzaremos os nossos olhos incrédulos de tanta verdade e tanto rigor
e ninguém jamais nos chorará
só um fio de universo como testemunha da nossa existência
Para a Elaine Guedes
3 comentários:
Joana, obrigada por pensar em mim!
Quanta realidade, assustadora se não fosse tão inevitável!
engraçado, acho que já tenho estampada, tatuada em mim a palavra mãe.
O mais engraçado é que um fio de universo já é muito importante, ou deveria ser...acho que estamos a buscar um fio grande de universo...e acho que se nos damos as mãos conseguimos um fio e um tempo maiores...
puseste-me a pensar ...e a falar assim, como uma portuguesa.
Obrigada, querida...ainda me questiono: qual foi o meu exato momento que te inspirou tudo isso...
beijo imenso
singelamente forte!
lindo lindo lindo
Joana, acabei de perceber que não havia percebido que está próximo o dias das mães!
então, é isto ser mãe também...
e seguindo a mesma linha, só agora li "vai dar trabalho estarmos vivos"
Joana, se vivermos com muita atenção e intensidade podemos já ser imensos fios vivos no universo
um beijo imenso
feliz dia da mamãe
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