foi um frio estranho que veio fora de tempo
o nosso amor
atonal e descrente
não teve a força da maré nem de cem cavalos a correr em campo aberto
foi uma noite de Agosto em Lisboa
o nosso amor
ventoso e desabrigado
sem mão
sem boca
sem voz
sem poder dizer adeus
adiado
impedido de respirar
foi sufocando lentamente
nós impávidos serenos observadores sádicos
a vê-lo perder a cor
a senti-lo desmaiar
a tomar o pulso fraco
sem deixá-lo morrer
comatoso hibernado
adiado adiado odiado
para sempre adiado
para sempre
meu amado
Sem comentários:
Enviar um comentário