outra vez
o mesmo vazio
a mesma falta
a mesma falha
um tempo interminável
que não se desata
amarra-me à curva dos dias
como que mata
arranco-te da minha cabeça à força
tu a não quereres sair
a quereres ficar sempre
só mais um bocadinho
dizes
dentro de mim
fecho os olhos porque quero tanto
e então
subitamente o silêncio
interrompe-se o movimento
voltamos ao antes
campo aberto de incertezas e causalidades
não tenho culpa digo
bem sei
dizes
é um pequeno fim
a terra treme-me debaixo dos pés
outra vez
a mesma voz
que se espalha
sobressalta
um tempo interminável
momentaneamente acelerado por um raio de luz
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