16/07/2010

para logo se perderem na infinita escuridão

ela pousa a mão no papel branco
já não consegue escrever
há muito que esqueceu como se formam parágrafos, frases ou sequer palavras
esqueceu depois de o conhecer
esqueceu tudo
depois de o conhecer
já não consegue gritar nem sequer perder a calma
está amansada ela
o pensamento já não escala as montanhas mais altas
nem atravessa oceanos em fúria
navega agora em águas profundas
raios esporádicos iluminam o seu perímetro mais curto
para logo se perderem na infinita escuridão

13/07/2010

finalmente

as notas desprendiam-se dos instrumentos
queriam a liberdade aquelas notas
já não queriam pertencer ao corpo daqueles instrumentos
nem sequer aos dedos nem às cabeças daqueles músicos
elas corriam
saltavam
por vezes tropeçavam descoordenadas na sua fuga descontrolada
queriam a liberdade aquelas notas
já não pertenciam a ninguém
e riam
riam muito
eram livres
finalmente

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